O HOME VIROU OFFICE: como criar uma rotina menos ansiosa

Psicóloga ajuda a construir bons hábitos para o home office

Para os profissionais de tecnologia, o home office não é uma novidade, mas o contexto em que vivemos de pandemia reverberou em um novo modelo de negócio para muitas empresas. Principalmente aquelas que não são 100% de tecnologia, mas que dependem dela para continuar com suas operações. E o reflexo se estende, claro, aos colaboradores e suas rotinas.

Convidamos a psicóloga, especialista em transtornos de ansiedade, Liliana Lopes para nos ajudar a identificar as ansiedades do dia a dia. Liliana explica: “Ansiedade é um mecanismo adaptativo que os seres humanos desenvolveram a milhares de anos para conseguir se proteger do perigo”. Ela completa ilustrando “é aquela reação de alerta que temos e nos impede de chegar na beira de um penhasco ou quando olhamos para os dois lados da rua ao atravessar ou nos preparamos para a apresentação de um trabalho”.

Logo, temos uma característica natural e positiva do ser humano. “A ansiedade é algo extremamente positivo e ajudou os seres humanos, animais fracos, sem garras, sem pelos, nem força, a sobreviver ao ataque de predadores e chegar ao topo da cadeia alimentar”, define a psicóloga.

No entanto, “existe um tipo patológico de ansiedade que é, justamente, quando esse alarme do perigo dispara sem existir ameaça alguma”, alerta Liliana. A base para definir quando um comportamento precisa ser olhado com mais cuidado são os prejuízos à vida da pessoa e a frequência com que isso acontece. Temos diversos tipos de transtornos de ansiedade, porém, “há um sentimento comum a todos eles: a necessidade de controle”. 

A psicóloga listou algumas percepções, que nos ajudam a identificar quando a ansiedade está impactando negativamente nossa vida. Veja a lista abaixo:

  • Há sintomas físicos sem nenhuma causa clínica como falta de ar, coração acelerado, tremores e desconforto abdominal.
  • Alterações no sono e na alimentação.
  • Dificuldade de concentração.
  • Falhas de memória.
  • Medos irracionais – quando nós mesmos percebemos que o perigo não justifica o sentimento de pânico que temos.
  • Evitação – deixamos de ir a uma festa por medo de passar mal.
  • Prejuízo nas relações sociais.
  • Perfeccionismo.
  • Tentar antecipar-se às situações para termos a ilusão do controle sobre elas.

PANDEMIA E ANSIEDADE

Liliana afirma que “a base da ansiedade é a sensação de perda de controle, é possível imaginar o quanto um cenário pandêmico estimula nossos medos”. E completa: “as realidades do adoecimento e da morte, sobre as quais trafegamos por toda a vida como se não existissem, parecem uma maneira da vida dizer: sim você pode adoecer, você pode morrer e as pessoas que você ama não estão tão seguras quanto você pensava”.

Outra questão que impacta nossa vida mais do que imaginamos é o cenário político. E esse fator pode ser mais um desencadeador de ansiedade.  “Neste momento, onde percebemos que nossa vida, nossa liberdade e nossa saúde estão nas mãos de outras pessoas”.

O HOME VIROU OFFICE

Antes, tínhamos aquele momento do dia em que desligávamos o computador no escritório e íamos para a segunda etapa do dia: um jantar, uma cerveja com amigos, assistir um filme com a família, descansar passivamente em casa, brincar com os filhos, ler, treinar. Hoje, nosso trabalho invadiu todos esses espaços, já que tanto ele quanto essas atividades estão concentradas no mesmo local: nosso lar. 

Como criar melhores hábitos para quem vai seguir com o home office:

  • Ter um espaço organizado para trabalhar, que não seja a sua cama e, preferencialmente, não seja no quarto.
  • Tentar manter a vida o mais próxima possível da rotina profissional anterior, com horário para iniciar, para finalizar e uma hora para intervalo e almoço.
  • Desconectar-se no horário de almoço, tanto do celular quanto do computador.
  • Não deixar a televisão ligada enquanto trabalha, pois isso irá te distrair frequentemente.
  • Não trabalhar de pijama.