Mulheres decifrando Códigos

Muitas mulheres foram responsáveis por trabalhos secretos ao longo de mais de 100 anos decifrando códigos

Mulheres decifrando códigos

Das cifras nazistas às mensagens secretas da gangue de Al Capone, muitas mulheres foram responsáveis pela quebra de códigos secretos ao longo de 100 anos decifrando códigos, porém, não foram devidamente reconhecidas na época.

No entanto, graças à descoberta de trabalhos que foram esquecidos e entrevistas com sobreviventes da época, a contribuição dessas mulheres foi revelada e o envolvimento delas na ciência apenas cresce.

Mulheres decifrando códigos na segunda guerra

Ressalta-se aqui que muitas mulheres decifraram códigos à mão, muito antes de a criptografia ser realizada por cientistas da computação.

Ada Lovelace

A matemática e escritora do século 19, Ada Lovelace é um exemplo. Ela  escrevia algoritmos para computadores projetados inicialmente por Charles Babbage e foi considerada a primeira programadora da história.

Ada Lovelace - Mulher decifrando códigos

“A primeira pessoa a casar as capacidades matemáticas de máquinas computacionais com a lógica simbólica aplicada com a imaginação. Essa combinação peculiar foi o produto da forma igualmente peculiar em que foi criada.”

Elizabeth Smith

Outro exemplo de mulheres na ciência, foi Elizabeth Smith, estudante de Shakespeare e uma das responsáveis nos Estados Unidos na 1º Guerra mundial a decifrar códigos secretos juntamente com William Friedman. Não houve treinamento formal em criptografia e na época não existia CIA, NSA e a capacidade de coleta de informações era extremamente limitada.

Elizabeth Smith trabalhava junto com William em uma propriedade do milionário George Fabyan. Ela foi empregada originalmente para participar de um projeto com o intuito de provar que as peças de William Shakespeare haviam sido escritas por seu contemporâneo: cientista e estadista Francis Bacon.

Além disso, Fabyan acreditava que o primeiro livro publicado das peças de Shakespeare continha mensagens criptografadas ocultas que provavam isso.

George Fabyan contratou cientistas talentosos e colocou-os em seus laboratórios, cobrando-lhes trabalhos como, por exemplo, inventar novas munições para militares. Ele era considerado louco, pois nas palavras de Jason Fagone – autor do livro “The woman Who Smashed Codes” sobre Elizabeth Friedman:

Em termos educados, ele estava louco, ele era um lunático. Chamava-se de coronel mesmo que nunca tivesse servido nas forças armadas.”

Por outro lado, o projeto de Fabyan ajudou o centro de código dos EUA em um momento de crise internacional. Além disso, foi nessa época que Elizebeth destacou-se. Ela foi uma das maiores responsáveis em decifrar códigos – o que chamou-se posteriormente de “criptoanálise”.

Elizebeth permaneceu a desvendar mensagens criptografadas significamente difíceis mesmo depois de ter deixado Riverbank onde trabalhava com seu marido William. Além disso, ela sempre era convocada para resolução de problemas que ninguém conseguia solucionar e ajudou os EUA a decodificar muitas mensagens inimigas. No entanto, seu trabalho e conquistas não foram documentados como os trabalhos de William.

Ademais, Elizebeth decifrou códigos de criminosos que eram membros da Gangue Al capone, colocando-os atrás das grades. E como se não bastasse, ela também ajudou a desvendar uma rede de espiões nazistas na Segunda Guerra Mundial que tentavam disseminar as revoluções fascistas na América do Sul e seu objetivo final era um ataque aos EUA.

Dessa forma, muitos desses espiões foram presos devido ao trabalho de Elizebeth e sua equipe na Guarda Costeira dos EUA. Contudo, durante décadas os créditos foram para o FBI e J. Edgar Hoover (diretor do FBI).

Elizabeth Smith - Mulher decifrando códigos

 “Ela era uma arma secreta. Suas habilidades eram tão incomuns que ela se tornou indispensável.” diz Fagone.

Ela foi uma das poucas mulheres no mundo a fazer tal trabalho. Entretanto, no livro de Liza Mundy – “Code Girls: The Untold Story of American Women Code Breakers”, explica  que a Marinha e o Exército dos EUA contrataram milhares de mulheres para auxiliar nas operações de quebra de código.

Outra figura importante na época, foi  Ann Caracristi que trabalhou junto com sua colega Wilma Berryman durante a  segunda guerra e decifrou códigos usados pelo exército japonês. Mais tarde, Caracristi tornou-se vice-diretora da NSA (National Security Agency).

Na Grã- Bretanha , o Bletchley Park – antiga instalação militar secreta localizada em Bletchley (perto de Milton Keynes, Buckinghamshire, na Inglaterra), teve várias contribuições de mulheres na tecnologia que inclusive, foram inspirações de artigos, livros e retratadas em uma série britânica em 2012.

Outra pessoa importante, porém não muito conhecida, foi  Winifred “Wendy” White – a “Miss White” como é referida em alguns documentos. Ela iniciou os seus trabalhos na mesma época que Elizebeth Friedman, em 1916. Apesar de não ter muitas informações sobre seu trabalho, alguns registros informam que ela era empregada na War Office e atuou na Bletchley Park.

Um de seus feitos, foi quebrar uma cifra naval italiana chamada “Rosie”.

Diversas mulheres trabalharam decifrando códigos

Dessa forma,  podemos perceber a quantidade de mulheres que decifravam códigos durante a guerra e desempenharam um papel importante na história através de habilidades de criptografia.

Na matéria publicada no site da BBC (www.bbc.com) Fagone – jornalista norte-americano e autor do livro sobre Elizebeth, citado acima fora questionado sobre a discussão de as mulheres poderem se igualar aos homens em certos ramos, como a matemática ou a programação de computadores, e sua resposta:

“Nós não precisamos ter esse debate porque temos a história – quando você vai a história, as mulheres estiveram lá, elas estão fazendo esse trabalho o tempo todo.”

Hoje, há outros grandes exemplos de mulheres na tecnologia, como a diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, e a CEO do Yahoo!, Marissa Mayer. No entanto, isso é assunto para ser explorado outro artigo sobre mulheres no mercado de software.


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