Muita informação para pouco cérebro

Muita informação recebida todos os dias pelo cérebro pode ter um efeito prejudicial à saúde mental e física, podendo causar aumento de ansiedade

Muita informação para pouco cérebro

O excesso de informação que é recebido todos os dias pelo cérebro pode ter um efeito prejudicial à saúde mental e física, muita informação pode ter efeitos prejudiciais como por exemplo, causar o aumento de ansiedade.

Sobrecarga de informação, um termo criado pelo futurista Alvin Toffler em 1970, significa a incapacidade de absorver e processar toda a informação que somos expostos. Esse termo, nunca foi tão bem empregado como na atualidade.

Diariamente, utiliza-se a internet, computadores, telefones celulares, iPhones e outros dispositivos que nos conectam ao mundo.

Dessa forma, expor-se à tanta informação resulta no que se chama “fadiga por informação”, ou seja, sobrecarga de informação, o excesso de exposição à redes sociais, internet, e-mail, etc consome a nossa energia e assim, não temos a capacidade cerebral de guardar todas as informações que nos bombardea a todo momento. Além disso, o resultado dessa exposição excessiva é o esgotamento físico e psicológico.

Percebe-se que em nosso cotidiano seja no trabalho, na escola ou até mesmo no lazer somos expostos e principalmente sobrecarregados à informação.

E quais são as possíveis causas dessa sobrecarga?


  • Acesso generalizado à internet ( mídias sociais como facebook, instagram e Twitter);
  • Uso barato e acessível à telefones celulares e internet móvel;
  • Consumo online e off-line de notícias, mídia e publicidade (TV, jornais, revistas e outdoors).

Um novo estudo afirma que somos bombardeados de informações equivalentes à 174 jornais por dia e o que se produz é em média por pessoa, o equivalente a seis jornais por dia comparado à duas páginas que eram “produzidas” há 24 anos, ou seja, 200 vezes maior.

A analogia da informação que recebemos por dia com o jornal  feita pelos pesquisadores equiparou-se que em 1986 recebía-se cerca de 40 páginas de informações diárias porém, esse número aumentou para 174 no ano de 2007.

Essa extensão de informações foi calculada pelo Dr. Martin Hilbert e sua equipe na Universidade do sul da Califórnia.

Ele utilizou uma fórmula complexa para calcular a quantidade média de informações armazenadas e enviadas de computadores para papéis e livros.

“Esses números mostram que estamos no meio da “era da informação“, disse Hilbert.

A capacidade de processar toda essa informação com computadores duplicou a cada 18 meses e os dispositivos de telecomunicações duplicaram a cada dois anos.

No entanto, o Dr. Hilbert afirma que estamos longe de lidar com a quantidade de informações produzidas em todo o mundo.

Ele afirma ainda:

“Em comparação com a natureza, somos aprendizes humildes. Se tentarmos armazenar o nome de cada estrela no Universo, só poderíamos registrar um por cento”.

Já  o psicólogo Robert Epstein afirma que a ideia e o pensamento de má qualidade referente ao cérebro têm raízes históricas em especial, à partir de 1940 com a invenção dos computadores: psicólogos, linguistas, neurocientistas e outros especialistas em comportamento humano têm vindo a afirmar que o cérebro humano funciona como um computador.

Contudo, essa afirmação não tem fundamento, pois computadores, literalmente, processam informações – números, letras, palavras, fórmulas, imagens.

Além disso, outras pesquisas sobre o cérebro humano apontam similaridades dele ao funcionamento de um computador. No entanto, segundo Robert Epstein:

“Os computadores realmente operam em representações simbólicas do mundo. Eles realmente armazenam dados e os recuperam. Eles realmente processam. Eles têm memórias físicas. Eles são guiados em tudo o que fazem, sem exceção, por algoritmos. Os seres humanos, por outro lado, não – nunca fizeram isso, e nunca farão”.

O psicólogo afirma ainda, que há uma metáfora das descobertas ou crenças de cada época com o cérebro humano, como por exemplo:

“…Em torno de 1500, máquinas alimentadas por molas e engrenagens tinham sido inventadas, acabando por inspirar os principais pensadores como René Descartes para afirmar que os seres humanos são máquinas complexas. Em 1600, o filósofo inglês Thomas Hobbes sugeriu que, ao pensarmos, surgiam pequenos movimentos mecânicos no cérebro. Por volta de 1700, descobertas sobre eletricidade e química levaram ao surgimento de novas teorias da inteligência humana. Em meados de 1800, inspirado por recentes avanços nas comunicações, o físico alemão Hermann Von Helmholtz comparou o cérebro humano a um telégrafo.”

Nessa comparação do funcionamento do computador com o cérebro, surgiu o termo chamado PI (processo de informação) da inteligência humana. Na atualidade, não há como falar do cérebro sem mencionar ou compará-lo ao computador.

No entanto, como afirma o psicólogo: “A metáfora PI existe para dar sentido a algo que  ainda não é compreendido e será aceita até ser substituída por outra metáfora ou pelo conhecimento real”. Essa afirmação pode ser analisada da seguinte forma:

A metáfora PI consiste em duas afirmações razoáveis e uma conclusão defeituosa.

  1. Afirmação razoável: todos os computadores são capazes de se comportar de forma inteligente;
  2. Afirmação razoável: todos os computadores são processadores de informação;
  3. Conclusão defeituosa: todas as entidades que são capazes de se comportar de forma inteligente são processadores de informação.

Desenvolve-se um esforço  por milhares de pesquisadores que consome bilhões de dólares em financiamento e produzem uma quantidade enorme de literatura que consiste em artigos técnicos, livros e mainstream.

Dessa forma, entende-se a comparação feita: o cérebro humano e o computador. Essa teoria gerou vários estudos e livros.

Abaixo, alguns desses estudos publicados:

O cérebro é alterado de acordo com as nossas experiências, pois elas mudam a nossa percepção. Como Robert Epstein exemplifica em seu artigo, sobre a capacidade de recitarmos um poema ou reproduzir uma canção.

Contudo, ninguém tem a menor ideia de como o cérebro muda depois que aprendemos essas atividades. Por outro lado, pode-se afirmar que nem a música nem o poema foram “armazenados” nele.

O cérebro simplesmente mudou de forma ordenada que agora nos permite cantar a canção ou recitar o poema sob certas condições, ou seja, não tem-se uma cópia “armazenada” como há em um computador.

E  afinal, quanta informação o cérebro pode armazenar?

Os especialistas afirmam que não há uma resposta exata para essa pergunta:

“É impossível comparar o cérebro do homem a uma máquina, porque a quantidade de informações que guardamos não pode ser quantificada. Quem falar em números estará mentindo”, diz o neurologista Ivan Izquierdo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Ao longo da evolução, o cérebro humano aumentou de tamanho e aprimorou suas funções, mas a capacidade de armazenar e recordar fatos é um enigma ainda não desvendado totalmente pela ciência.

Além disso, o neurofisiologista Luiz Eugênio Mello da Unifesp afirma:

O cérebro guarda apenas fragmentos do que aconteceu e, na hora de montar o quebra-cabeça das lembranças, contam as emoções e a maneira como a pessoa percebeu o fato ocorrido. Quem tem memória é o computador. O que nós temos é uma vaga lembrança”.

E como solucionar a sobrecarga de informação que sofremos atualmente?

  • Dormir o suficiente (como disse Maiken Nedergaard que lidera um estudo na Universidade de Rochester. “Nós dormimos para limpar nossos cérebros”);
  • Exponha-se mais ao ar livre (a pesquisa de Nedergaard descobriu que várias regiões do cérebro são ativadas quando expostas ao ar livre. Além disso, a luz do sol aumenta a sua produção de vitamina D e serotonina – ambas as quais fazem sentir-se bem;
  • Faça exercícios físicos (O exercício não é apenas para melhorar o corpo, mas também melhora o seu cérebro);
  • Meditar (Ela pode aumentar a atividade nos lobos frontais do cérebro);
  • Tire um cochilo. (Dr. Sarah McKay afirma em “A neurobiologia da sesta da tarde”, que uma pequena soneca pode reduzir a sonolência, fortalecer a função cognitiva e melhorar a memória e o humor a curto prazo);
  • Tire uma folga de telefones celulares, mídias sociais e internet (seja por algumas horas diárias ou um único dia na semana).

Além disso, outros estudos apontam que nosso cérebro tem a atenção limitada. Dessa forma, é necessário fazer uma pausa entre uma atividade e outra para o descanso dele.  Essa atitude poderá aumentar a eficiência de nosso cérebro e ajudará a melhorar a concentração.

Como afirma Epstein:

“Nós somos organismos e não computadores!”


Parcerias: Curso React Direto ao Ponto