Do chão de fábrica para os códigos da programação: conheça história de Adriana Saty

Nesta nona entrevista do #CompartilhaMercado, o bate-papo foi com uma mulher programadora, a Adriana Saty, que migrou da engenharia para o mundo dos códigos e hoje é desenvolvedora frontend no Itaú.

Quem vê os vídeos bem-humorados e descontraídos que a programadora Adriana Saty publica em seu Instagram, não imagina que tudo foi um processo de desconstrução e autoconhecimento.

Ela, que sempre se considerou tímida, viu nas redes sociais uma forma de melhorar a sua comunicação, sair do tédio dos dias pandêmicos e, de quebra, ensinar pessoas sobre uma das profissões mais valorizadas atualmente, a de programador.  

Formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná, Adriana conta que sempre gostou de tecnologia, porém, o primeiro contato com a programação, ainda na faculdade, não foi positivo.

Durante as aulas, não entendia muito bem aquele universo que se abria, confessa que chegou a odiar, mas se permitiu uma segunda chance anos mais tarde. Isso porque os primeiros estágios e as primeiras experiências na área de engenharia não foram satisfatórios. 

Depois de formada, veio aquele impasse se deveria ou não seguir carreira em chão de fábrica, algo que não se identificava:

“Sentia muito preconceito pelo fato de ser mulher, não era ouvida, era muito difícil passar a minha credibilidade naquele tipo de ambiente”, conta. 

Adriana sentia que faltava algo a mais, queria criar coisas, desenvolver e trazer soluções, tudo o que a programação possibilita. 

Coragem para mudar de carreira

Como havia deixado sua cidade, Curitiba, em busca de novas oportunidades, Adriana avaliou que precisava arriscar e trabalhar com algo que fizesse mais sentido. Na época, ela morava com uma amiga que se formou em Análise de Sistemas e vivia comentando o quanto o mercado era próspero e cheio de oportunidades. 

“Tudo o que falavam sobre o mercado de TI, de poder ter liberdade geográfica, ter um salário bom, qualidade de vida, tudo isso me atraia muito. Mesmo não gostando de programar, achei que valia a pena encarar. Eu não entrei por amor à programação, mas sim pelos benefícios que ela poderia me trazer”, confessa.

O fato é que Adriana teve maturidade, visão estratégica e coragem para buscar algo novo. Começou uma busca por empresas de tecnologia, enviou alguns currículos e a primeira oportunidade surgiu na Accenture, uma multinacional de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing.

Ela conta que na época não sabia quase nada de programação, não tinha ideia do que era front, back, banco de dados… “Era tudo uma novidade, mas dentro da empresa tive contato com devs e estava sempre curiosa em aprender e encontrar algo que me fizesse feliz”, ressalta.

Foi então que começou a estudar pela internet, focando em JavaScript, HTML e CSS, tudo através de vídeos no YouTube. Como uma forma de aplicar tudo o que estava aprendendo, decidiu criar um site que funcionasse como portfólio e esse foi o seu primeiro projeto pessoal.

“Criar o site me permitiu ter uma ideia de como era começar algo do zero. Meu intuito era aprender a fazer um site responsivo, como colocar tradução, como mexer com a AWS, criar a lógica das rotas, organizar as pastas…”  

A experiência fez com que Adriana sentisse vontade de se tornar desenvolvedora frontend. Focou ainda mais nos estudos e novas oportunidades foram surgindo. Um tempo depois, ela encontrou um colega que havia trabalhado junto na Accenture, ele estava montando um novo projeto no Santander e precisava de dev front.

Tendo conhecimento do esforço e dedicação da Adriana, disse que a equipe estava precisando de um dev front, mas reforçou que ela precisaria aprender rápido, pois havia muita demanda.

Na mesma época, conseguiu uma bolsa para o Bootcamp – Fullstack Web Development e pensou que tamanha coincidência só poderia ser coisa do universo querendo que ela virasse desenvolvedora.

Em um ano, ela aprendeu muita coisa e passou a amar programação. Além da Accenture, teve passagens pela Empréstimo Sim (startup do Santander), chegou a ser professora assistente no Bootcamp onde estudou e hoje é desenvolvedora no Itaú. 

Pandemia e a ideia de criar um Instagram 

Depois de se estabilizar na profissão, era o momento de Adriana cuidar um pouco mais do lado pessoal, praticar atividade física e se alimentar melhor. Ela estava começando a planejar visitar alguns amigos, mas veio a pandemia e os planos precisaram mudar.

Ela conta que estava cansada de jogar vídeo game e assistir séries; queria fazer algo novo, já que não consegue ficar muito tempo parada. A ideia de criar um perfil para falar sobre a profissão de programador surgiu neste momento. 

Criado no começo de 2021, o perfil conta com mais de 20 mil seguidores e Adriana se divide entre o trabalho como dev e como produtora de conteúdo. 

“O segredo é ter constância, vou criando e vendo o que as pessoas gostam. Conforme recebo feedback, vou melhorando os conteúdos e vídeos.”

Para ela, o trabalho com o Instagram foi muito positivo para desbloquear a timidez e melhorar a sua comunicação. Um dos sonhos de Adriana é se tornar desenvolvedora Fullstack. Além disso, ela planeja também lançar em breve um curso sobre os primeiros passos na programação, onde trará dicas para quem quer começar.

Ser mulher em uma área dominada por homens 

Apesar das mulheres estarem cada vez mais se interessando por tecnologia e conquistando espaços no setor, o mundo da programação ainda é dominado por homens. 

Adriana lida bem com este cenário e comenta que sentiu mais preconceito quando trabalhava como engenheira do que agora, como dev. “Sinto que em TI as pessoas têm uma mente mais aberta”.

Além disso, o mercado tem incentivado muito a inclusão das mulheres. “Algumas empresas contam com programas específicos para que mulheres possam aprender e entrar para a área, o que é excelente!”

Segundo Adriana, o mercado está mudando e mostrando que a programação não é apenas para aquele estereótipo do nerd por trás dos códigos. “Não é difícil aprender a programar, depende do tanto que você se expõe para a lógica de modo geral e para a tecnologia. Alguns podem demorar mais, mas todos podem aprender”, reforça.

Dicas para quem quer começar

Se você deseja aprender a programar ou até mesmo mudar de carreira, Adriana sugere começar assistindo a vídeos no YouTube, pois considera uma ótima maneira de entrar em contato com esse mundo.

Além disso, ela acredita que o caminho a ser trilhado depende muito do background de cada um. 

“Se a pessoa tem 18 anos e nunca fez uma faculdade, diria que vale a pena vivenciar uma graduação de Análise de Sistemas ou Ciências da Computação, porque acho importante. Ajuda muito no processo de amadurecimento, fora que a gente conhece pessoas e faz muitos contatos. A faculdade é uma das melhores épocas da vida”, enfatiza.

Agora, para quem já tem uma graduação, Adriana indica fazer algum curso começando sempre do mais acessível para os mais especializados. 

De acordo com ela, qualquer linguagem que alguém consiga aprender já vai ter chance de entrar no mercado. “Você pode começar com algo mais simples, python ou javascript, mas o fundamental mesmo é aprender lógica de programação e orientação a objetos, depois disso você vai ter uma boa base.”

Tendências 

Entre as tendências do mercado, ela comenta que os profissionais que desejam entrar no mundo do frontend, quem souber bem Javascript e React, terá ótimas oportunidades.

“Vejo como tendência também aprender AWS e blockchain, faz brilhar os olhos de muitas empresas e a longo prazo quem tiver esse conhecimento vai ter chance de voar. 

Porém, tudo no seu tempo e respeitando seus limites, pois o mercado de TI muda constantemente e isso deixa os profissionais muito ansiosos. 

“A gente nunca consegue aprender tudo ou sempre vai ter alguém mais novo que você fazendo o dobro do que você faz. O mais difícil para quem é dev é parar, respirar e dizer que está tudo bem, que você está dando o seu melhor.”

Para quem quiser acompanhar a Adriana nas redes sociais e conhecer mais sobre o seu trabalho, é só seguir a dev no Instagram